Amazônia: grãos de areia e pó de estrelas
- elisebozzetto
- 18 de mar.
- 1 min de leitura
Algumas experiências são difíceis de absorver, tanto mais colocar em palavras. A Amazônia foi uma delas. Ficamos 5 dias morando em um barco, refugiados no quieto, negro e imenso Rio Negro. Junho, época das cheias, a floresta descansa embaixo da água. Navegávamos pela copa de árvores, brincando de exploradores do mar de verde que se colocava diante de nossos olhos. E como enchia os olhos aquele mar. De beleza e de lágrimas, pois a conexão escorre quando não encontramos outras formas de absorver tanta imensidão.
É tanto verde, é tanta exuberância que não dá para entender como aquilo tudo segue de pé sob um solo arenoso, pobre e frágil. A botina, na pouca terra firme onde ficamos antes de imergir na floresta inundada, voltava cheia de areia para nossa casa, nosso barco. Deve ser algum tipo de mágica. É mágico, extraordinário, como diz o Lama Padma Samten, meu professor.
Uma noite, ficamos na lancha, no meio do rio. Em silêncio, apenas os sons da Floresta contavam histórias. Fitávamos o céu estrelado, sem interferência da poluição luminosa. Não havia outra luz a não ser as que vinham das estrelas (era lua nova, grande mérito para vivermos aquele momento). E quantas estrelas! Nunca vi tantas. Não imaginava que o céu era tão cintilante. Meus olhos vertiam aquilo que eu simplesmente não conseguia guardar dentro de mim. A água do Rio Negro, de repente, estava em mim também e, sob aquele céu, de certa forma, eu me senti pó de estrela, de todas aquelas estrelas.
Algumas aves que tive a grande alegria de registrar:







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